João Calvino Falando Português

Parte 01

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Sem a menor sombra de dúvida, este é o tempo em que João Calvino se põe a falar nosso idioma, através da tradução de suas obras. Após um século e meio de fé evangélica no Brasil, em apenas duas décadas suas obras proliferam de modo inusitado, quando antes pouquíssimos criam na validade de tal empreendimento.

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Duas versões evangélicas das Institutas, uma versão secular delas, dezenas e mais dezenas de comentários e tratados, já traduzidos e em preparação, e um volume de suas correspondências. Certamente, se os vários tradutores de duas obras escrevessem sobre a experiência que tiveram enquanto mergulhados no pensamento do Reformador, todos teriam muito a nos contar.

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No que me diz respeito, em particular, o que tenho a dizer sobre a minha experiência, enquanto traduzo os comentários e tratados de Calvino, encheria um volume massudo.

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Como conto com pouco espaço, tentarei sintetizar ao máximo as minhas impressões, visando à edificação dos leitores.

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Durante todo o tempo em que estou traduzindo suas obras, minhas emoções correm a mil. Vale dizer que só  contato com esse homem já deixa o leitor em sobressalto. A beleza de seu estilo, a profundidade de seu pensamento, a sinceridade com que aborda os grandes temas do cristianismo, a preocupação com o bom preparo de ministros e do povo, bem como com a evangelização mundial, sua austeridade em confrontar o erro com a verdade, seu raciocínio lógico em desbaratar o erro doutrinário, a abrangência de seu pensamento teológico, seu cuidado meticuloso em não ultrapassar os limites da revelação divina – tudo isso causa uma profunda impressão naquele que se põe a perscrutar os meandros da interpretação bíblica de Calvino. A impressão que se tem é que seu conhecimento era ilimitado.

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Por exemplo, um dos pontos que mais me causaram impacto no enfoque teológico do Reformador foi a sua profunda reverência pela Bíblia. É uma reverência tal que já quase nem vemos hoje. Ele abraçou a Bíblia de modo incondicional. Ele a via como a Palavra do Deus eterno, que no-la deu como padrão, para nela haurirmos a verdade que Ele quis que conhecêssemos sobre Seu eterno plano para todo o universo, especialmente para sua igreja. Toda a vida de Calvino consistiu em extrair da Palavra de Deus tudo o que o Espírito gravou nela pela pena dos patriarcas, profetas e apóstolos. Ele nutria o receio de escorregar para a direita ou para a esquerda, inventando o que o Espírito não queria revelar; também temia deixar de fora algo importante que o Espírito quis que sua igreja soubesse.

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Rev. Valter Graciano Martins

(Extraído da revista “Fé para Hoje”)

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