Vale Tudo Para Pregar a Mensagem de Cristo?

“Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isso me regozijo.”

(Filipenses 1.18)

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De acordo com a interpretação popular desta passagem, o importante era que o Evangelho fosse pregado, não importando o motivo e nem o método. A conclusão é que, a fim de propagarmos a mensagem do evangelho, poderíamos e deveríamos usar todos os recursos, métodos, meios, estratégias, pessoas – a despeito de qual seja a motivação. Em decorrência, não podemos criticar, condenar ou julgar ninguém que fale de Cristo, muito menos confrontar as intenções e a metodologia dessa pessoa. Por essa ótica, vale tudo!

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Para analisarmos esta questão, devemos entender em que circunstâncias Paulo enviou a carta aos filipenses. Ele estava preso em Roma, acusado pelos judeus de ser um rebelde, um perversor da ordem pública, que proclamava outro imperador além de César. Quando os acusadores de Paulo eram convocados diante das autoridades romanas para justificar as denúncias que tinham contra ele, diziam alguma coisa parecida com isto: “Meritíssimo, este homem, Paulo, vem espalhando por todo lugar que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, que nasceu de uma virgem, morreu por nossos pecados, ressuscitou ao terceiro dia e está assentado à direita de Deus, tendo se tornado Senhor de tudo e de todos. Diz também que este Senhor perdoa e salva todos aqueles que Nele creem, mesmo sem a prática das obras da lei. Meritíssimo, isto é um ataque direto ao imperador, pois somente César é Senhor. Este homem é digno de morte!”

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Ao fazer acusações deste tipo, os judeus, nas próprias palavras de Paulo, proclamavam Cristo por inveja e porfia (v.15 e 17). Isto é, Paulo se regozijava porque seus acusadores, no propósito de matá-lo, no fim das contas acabavam anunciando o evangelho de Cristo aos magistrados e às autoridades romanas. Há uma longa distância entre esse episódio e o uso da referida passagem para justificar que cristãos, num país onde são livres para pregar, usem de meios mundanos e escusos, de alianças com ímpios e de estratégias no mínimo polêmicas para anunciar a mensagem de Cristo.

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Portanto, usar Filipenses 1.18 para justificar tamanha banalização pública do Evangelho é, como costuma-se dizer popularmente, usar texto fora do contexto como pretexto para o erro.

 

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

(Extraído do livro: Polêmicas na Igreja)

 

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